Delegado preso por suspeita de desviar drogas para facção pede prisão domiciliar por câncer, mas Justiça nega

4 jun 2026 - Notícias

Braz Morroni alegou diagnóstico de câncer de próstata para deixar a cadeia; juíza apontou falta de laudos atualizados e manteve prisão por 30 dias — Foto: Divulgação

Preso durante a Operação Perfídus, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas pela Polícia Civil para abastecer uma organização criminosa, o delegado Braz Morroni teve negado o pedido de prisão domiciliar humanitária pela Justiça da Paraíba.

A defesa do delegado apresentou o pedido durante a audiência de custódia realizada após a prisão, alegando que Morroni foi diagnosticado com câncer de próstata e já passou por cirurgia para tratar a doença. No entanto, a juíza Michelini de Oliveira Dantas entendeu que não havia elementos suficientes para justificar a substituição da prisão temporária por uma medida domiciliar.

O ponto que mais chamou atenção na decisão foi a ausência de documentos médicos recentes. Segundo a magistrada, a defesa anexou apenas exames e relatórios dos anos de 2023 e 2024, sem apresentar qualquer laudo atualizado que comprovasse o reaparecimento da doença, agravamento do quadro clínico ou situação de extrema fragilidade física em 2026.

Outro fator considerado pela Justiça foi o resultado do exame de corpo de delito realizado no dia da audiência. O documento atestou que Braz Morroni não apresentava lesões, queixas ou sinais de debilidade que justificassem uma medida excepcional.

Com isso, o delegado permanece preso temporariamente por 30 dias no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

Apesar da negativa na audiência de custódia, a defesa informou que continuará buscando a concessão da prisão domiciliar.

Segundo os advogados, o mérito do pedido será analisado pela juíza Conceição Marsicano, da 2ª Vara de Garantias de João Pessoa, responsável por autorizar os mandados da Operação Perfídus.

Antes da decisão final, o Ministério Público da Paraíba deverá emitir parecer sobre a solicitação apresentada pela defesa.

Deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba, a Operação Perfídus investiga uma suposta organização criminosa formada por policiais e traficantes.

De acordo com as investigações, integrantes do grupo utilizavam informações sigilosas e a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas. A apuração aponta ainda que drogas apreendidas em operações policiais eram desviadas e posteriormente revendidas ilegalmente.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

Além de Braz Morroni, também foram presos os agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, apontado como elo entre policiais e traficantes, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, suspeito de participar diretamente do desvio e ocultação de entorpecentes.

Outras seis pessoas também são investigadas na operação. Até o fechamento desta matéria, as defesas dos demais envolvidos não haviam sido localizadas.

O POVO PB

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