Mais de 2 mil comprimidos de anabolizantes foram apreendidos em Campina Grande, na manhã desta terça-feira…
Áudio: “Os anabolizantes me rendem mais que o salário da polícia”, diz investigador preso em esquema que movimentou milhões na Paraíba
7 jun 2026 - NotíciasUm dos trechos mais impactantes da investigação da Operação Perfídus revela a dimensão do suposto esquema criminoso desmontado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba nesta semana. Em uma das conversas interceptadas pelos investigadores, o policial civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, afirma que obtinha mais lucro com a venda ilegal de anabolizantes do que com o próprio salário na corporação.
“O cara que mais vende aqui sou eu. Porque eu fidelizo a clientela. Os anabolizantes deixam para mim mais do que o meu salário. A polícia paga uma merreca”, diz o trecho do áudio atribuído ao investigador.
A conversa integra um conjunto de mais de 40 mil áudios analisados ao longo de uma investigação que durou mais de um ano e resultou na prisão de nove pessoas, entre policiais civis e suspeitos de integrar uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas.
Mais de R$ 10 milhões bloqueados
De acordo com a Polícia Civil, a organização utilizava informações privilegiadas para localizar carregamentos de drogas, monitorar alvos e favorecer traficantes. A suspeita é que parte dos entorpecentes apreendidos em operações policiais fosse desviada e posteriormente revendida ilegalmente, inclusive para integrantes de facções criminosas.
Durante coletiva de imprensa, o delegado-geral André Rabelo classificou o caso como um dos mais graves já investigados pela corporação.
“É um caso que parece roteiro de filme, mas infelizmente aconteceu na vida real. Policiais que deveriam combater o crime passaram a utilizar a estrutura do Estado para favorecer organizações criminosas”, afirmou.
A Operação Perfídus cumpriu nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e resultou no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.
Outro dado que chamou a atenção das autoridades foi a movimentação financeira dos principais investigados.
Segundo a Polícia Civil, dois dos alvos chegaram a movimentar cerca de R$ 5 milhões cada em contas bancárias. A suspeita é que os valores sejam ainda maiores, já que parte das negociações teria ocorrido em dinheiro vivo, dificultando o rastreamento completo dos recursos.
Além das interceptações telefônicas, a investigação contou com quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático para mapear a atuação do grupo.
Quem são os presos
Entre os principais alvos da operação está o delegado Braz Morroni, que atuava na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa.
Também foram presos os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, o “Bomba”, apontado como articulador da organização, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, suspeito de monitorar carregamentos de drogas e auxiliar na ocultação dos entorpecentes.
Outros presos na operação são:
- João Wicttor Alves de Lima;
- Brendo Roberth Fernandes Sobral;
- Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
- José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”;
- Vanessa Dantas Fernandes;
- Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.
Segundo a investigação, o grupo utilizava a estrutura pública para beneficiar organizações criminosas e frustrar operações policiais.
O que dizem as defesas
Até a publicação desta matéria, a defesa de Braz Morroni sustenta que as acusações são baseadas em conversas de terceiros e afirma que não existe diálogo interceptado envolvendo diretamente o delegado nas supostas práticas criminosas.
Já a defesa de Everton Rychelyson Aires informou que o policial civil nega as acusações, reafirma sua inocência e confia que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo, respeitando os princípios da ampla defesa e do contraditório.
O POVO PB
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