Preso durante a Operação Perfídus, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas pela…
Áudios revelam que delegado preso orientou registro com dados falsos sobre apreensão de drogas, diz investigação
11 jul 2026 - Manchete Destaque
Delegado Braz Morrone está entre os presos da operação — Foto: Reprodução
Novos elementos da investigação da Operação Perfídus apontam que o delegado Braz Morroni, preso temporariamente por suspeita de integrar um esquema de desvio de drogas na Polícia Civil da Paraíba, teria orientado a elaboração de um boletim de ocorrência com informações falsas para encobrir uma apreensão de entorpecentes.
Os áudios, obtidos pela investigação e aos quais a Rede Paraíba teve acesso, mostram o delegado conversando com um escrivão identificado como “Quinze”. Na gravação, Braz orienta que o registro seja datado de 17 de outubro de 2025, embora a apreensão da droga tivesse ocorrido seis dias antes, em 11 de outubro.
Segundo a Polícia Civil, os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, ambos também presos, seriam responsáveis por levar o material à delegacia dias após a apreensão para formalizar o registro.
As investigações ainda revelam que fotografias recuperadas do celular de Braz Morroni indicam que ele esteve no imóvel onde a droga estava armazenada no mesmo dia da apreensão. Os arquivos contêm data, horário e localização, reforçando, segundo a Draco, que o delegado participou da retirada do material antes da formalização oficial da ocorrência.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a divergência entre a quantidade de drogas registrada e o volume que teria sido realmente apreendido. Enquanto o boletim menciona 1,5 quilo de entorpecente, a Polícia Civil estima que havia mais de 100 quilos no local.
De acordo com a Draco, a diferença reforça a suspeita de desvio de drogas para abastecer o tráfico. A investigação aponta que parte dos entorpecentes apreendidos seria retirada das operações policiais e revendida por uma organização criminosa com a participação de agentes públicos.
A Operação Perfídus foi deflagrada após uma investigação iniciada em fevereiro de 2025. Conforme a Polícia Civil, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 10 milhões em quatro anos com a venda de drogas desviadas de apreensões oficiais.
A defesa do delegado Braz Morroni não havia se manifestado sobre o conteúdo dos áudios até a publicação desta reportagem. As defesas dos investigadores Everton Aires e Eduardo Jorge também não foram localizadas.
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O POVO PB
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