CGU identifica descontos indevidos em contracheques de aposentados do INSS na Paraíba
24 abr 2025 - Paraíba
INSS — Foto: Divulgação
Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de descontos indevidos em contracheques de beneficiários do INSS na Paraíba, incluindo aposentados e pensionistas. Segundo o documento, todas as 52 pessoas entrevistadas no estado afirmaram não ter autorizado os descontos realizados por entidades associativas.
As irregularidades fazem parte de um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alvo de uma operação conjunta da CGU e da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta quarta-feira (23). Embora a Paraíba não tenha sido um dos alvos diretos da operação, o relatório divulgado em setembro do ano passado mostra que o estado também pode ter sido afetado pelo esquema.
Em âmbito nacional, a estimativa é que os desvios possam alcançar R$ 6,3 bilhões, resultado de mensalidades não autorizadas cobradas de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. As entidades envolvidas são acusadas de falsificar assinaturas e oferecer serviços inexistentes, como descontos em academias e planos de saúde.
Além da Paraíba, o levantamento identificou que 100% dos entrevistados nos estados do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Amapá, Amazonas e Acre também sofreram com os descontos indevidos. Em outros estados, como Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal e Goiás, mais de 96% dos entrevistados relataram o mesmo problema.
Na média nacional, 97,6% dos entrevistados disseram nunca ter autorizado esse tipo de cobrança, enquanto 95,9% afirmaram não pertencer a nenhuma associação.
Segundo a CGU, a maioria das vítimas desconhecia a existência dos descontos e relatou dificuldades para o cancelamento, principalmente por conta da necessidade de acesso digital e da falta de orientação adequada. O relatório também aponta que parte significativa dos entrevistados não conhecia o aplicativo Meu INSS, principal ferramenta para consultas e bloqueios desses débitos.
Diante das constatações, a CGU recomendou ao INSS:
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Bloqueio imediato de novos descontos;
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Revisão dos acordos com entidades que apresentaram indícios de irregularidades;
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Melhorias nos controles internos e na transparência dos processos de autorização de descontos.
Entenda a Operação
A operação da Polícia Federal e da CGU foi deflagrada em 13 estados e no Distrito Federal e tem como foco associações que cobravam mensalidades sem autorização dos beneficiários do INSS.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da CGU, Vinícius de Carvalho, explicou que as associações investigadas falsificavam assinaturas e ofertavam vantagens fictícias. Como consequência da operação, seis servidores públicos foram afastados, incluindo o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que foi posteriormente exonerado do cargo.
O POVO PB
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