Delegado Braz Morroni e agentes presos por suspeita de ligação com tráfico podem ser expulsos da Polícia Civil da Paraíba

2 jun 2026 - Notícias

Delegado Braz Morroni — Foto: Divulgação

O delegado da Polícia Civil da Paraíba Braz Morroni  e dois agentes investigados por suposta participação em uma organização criminosa deverão ser afastados das funções e podem até ser expulsos da corporação. A informação foi confirmada nesta terça-feira (2) pelo secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social, Jean Nunes, após a deflagração da Operação Perfídus, em João Pessoa.

A ação conjunta das forças de segurança apura um esquema envolvendo tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Segundo as investigações, integrantes do grupo utilizavam a estrutura do Estado para beneficiar atividades criminosas e dificultar o trabalho das autoridades.

De acordo com Jean Nunes, além das medidas judiciais já autorizadas pela Justiça, como prisões, buscas e apreensões, o caso também terá desdobramentos administrativos dentro da Polícia Civil.

“O Estado não pode tolerar esse tipo de conduta. Precisamos adotar todas as providências para retirar essas pessoas das instituições e enfraquecer a atuação das organizações criminosas”, afirmou o secretário.

Ainda segundo ele, a Corregedoria da Polícia Civil já iniciou os procedimentos disciplinares que irão apurar a conduta dos servidores envolvidos. Dependendo do resultado das investigações, as punições podem chegar à demissão dos policiais.

Entenda a operação

A Operação Perfídus foi deflagrada nas primeiras horas desta terça-feira e cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

Entre os presos estão o delegadoBraz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”.

Segundo a Polícia Civil, Everton seria o principal articulador do grupo, atuando como elo entre policiais e traficantes. Já Eduardo é suspeito de monitorar carregamentos de drogas, utilizar rastreadores e ocultar entorpecentes para a organização criminosa.

Também foram presos durante a operação:

  • João Wicttor Alves de Lima;
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
  • José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”;
  • Vanessa Dantas Fernandes;
  • Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.

Até a publicação desta matéria, as defesas dos investigados não haviam se manifestado.

Nome da operação faz referência à traição

Com mais de 20 anos de atuação na Polícia Civil, Braz Morroni atualmente estava lotado na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa.

As investigações apontam que os suspeitos tinham acesso a informações sigilosas sobre imóveis, veículos e operações policiais ligadas ao tráfico de drogas. Esses dados teriam sido usados para favorecer integrantes de organizações criminosas e frustrar ações de combate ao crime.

O nome da operação, Perfídus, deriva da palavra “perfídia”, que significa traição ou deslealdade, numa referência direta às suspeitas que recaem sobre os investigados.

O POVO PB

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