Entre o 8 de Janeiro e Venezuela: quando a democracia volta a ser o alvo — Por Edcarlos Santana

4 jan 2026 - Brasil - Mundo

Entre o 8 de Janeiro e Venezuela: quando a democracia volta a ser o alvo — Por Edcarlos Santana — Foto: Reprodução

Quase um ano depois do 8 de Janeiro, quando o Brasil assistiu estarrecido a um ataque frontal às instituições democráticas, o mundo volta a ser provocado por imagens, discursos e ações que colocam em xeque um princípio básico da ordem internacional: a soberania dos povos. Desta vez, o epicentro da tensão é a Venezuela.

É preciso dizer, sem rodeios: não se trata aqui de defender o legado político de Nicolás Maduro. Sua condução do país é alvo de críticas legítimas, internas e externas, acumuladas ao longo de anos de crise econômica, institucional e humanitária. Mas a crítica política, por mais dura que seja, não pode servir de pretexto para relativizar a democracia ou naturalizar intervenções que atropelam regras internacionais.

O que está em jogo não é um governo específico, mas o direito de uma nação decidir seu próprio destino. Quando forças externas avançam sobre um país sob o argumento de “corrigir rumos”, abre-se um precedente perigoso. A história mostra que, quase sempre, por trás desse discurso estão interesses políticos e econômicos bem definidos, raramente alinhados ao bem-estar da população.

O paralelo com o 8 de Janeiro não é forçado. Lá, vimos a tentativa de desacreditar o resultado das urnas e impor, pela força, uma narrativa política derrotada. Aqui, observamos o risco de se deslegitimar a soberania de um Estado em nome de uma suposta ordem “superior”. Em ambos os casos, a democracia é tratada como obstáculo, não como valor.

A força nunca substituiu a diplomacia e nunca substituirá! Democracias não se exportam em aviões militares nem se constroem sob ameaças. Elas se fortalecem com diálogo, pressão internacional responsável, mediação multilateral e, sobretudo, respeito às escolhas do seu povo, ainda que essas escolhas desagradem potências ou mercados.

O mundo parece flertar, mais uma vez, com soluções fáceis para problemas complexos. E toda vez que isso acontece, o preço costuma ser alto: instabilidade, violência e desconfiança global. Defender a democracia, hoje, é resistir à tentação do atalho autoritário, venha ele de dentro ou de fora das fronteiras.

A democracia não é perfeita, mas continua sendo o único caminho legítimo. Tudo fora disso é retrocesso travestido de solução.

Por Edcarlos Santana — Portal O POVO PB

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