Justiça determina reconstituição de chacina em que seis policiais militares são suspeitos de matar cinco jovens na Paraíba

22 ago 2025 - Paraíba

Cinco policiais militares são presos em operação que investiga morte de cinco jovens no Conde — Foto: Reprodução

A Justiça do município de Conde, no litoral sul da Paraíba, determinou a reconstituição da chacina que resultou na morte de cinco jovens, em fevereiro deste ano, e que tem seis policiais militares como investigados. A decisão, assinada pela juíza Lessandra Nara Torres Silva, foi revelada pela TV Cabo Branco.

Até agora, cinco dos policiais estão presos temporariamente e um sexto, o tenente Álex William de Lira Oliveira, encontra-se nos Estados Unidos, sem cumprimento do mandado de prisão preventiva.

A reconstituição será conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com a participação dos policiais investigados e de agentes que chegaram ao local após os disparos. A magistrada também determinou que celulares apreendidos sejam destravados e que um laudo pericial sobre o conteúdo seja apresentado em até 10 dias.

Ministério Público aponta indícios de homicídio

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) sustenta que há indícios de homicídio cometidos pelos policiais, além de fraude processual e ocultação de provas. Testemunhas relataram que os jovens não ofereceram possibilidade de reação e que os corpos foram removidos da cena do crime antes da chegada da Polícia Civil.

Segundo depoimentos, os policiais estariam usando máscaras e recolheram cápsulas no local. Um laudo pericial identificou que os veículos foram atingidos por mais de 90 disparos de fuzil: 74 em um carro e 18 em outro, todos de fora para dentro. Ainda que três armas tenham sido apresentadas como pertencentes às vítimas, apenas duas estavam aptas a disparar, já com cartuchos deflagrados.

Uma testemunha relatou que dois jovens estavam fora do carro com as mãos na cabeça, enquanto outros estavam rendidos no chão, sob a mira de policiais.

Defesa dos investigados

O advogado Luiz Eduardo, que representa os policiais, afirma que os agentes reagiram a disparos feitos pelos jovens, que planejavam um ataque em vingança a um feminicídio cometido horas antes na cidade.

Em nota, a defesa declarou que os policiais são inocentes e que irão comprovar essa versão no decorrer do processo.

Quem são os policiais investigados

Foram presos na segunda-feira (19):

  • Soldado Mikhaelson Shankley Ferreira Maciel

  • Sargento Marcos Alberto de Sá Monteiro

  • Sargento Wellyson Luiz de Paula

  • Sargento Kobosque Imperiano Pontes

  • Cabo Edvaldo Monteval Alves Marques

O tenente Álex William de Lira Oliveira segue no exterior.

A chacina ocorreu na noite de 15 de fevereiro de 2025, na Ponte dos Arcos, em Conde. Os jovens, com idades entre 17 e 26 anos, teriam se reunido para vingar a morte de uma mulher vítima de feminicídio. Segundo a Polícia Militar, eles planejavam atacar o autor do crime quando foram interceptados.

As investigações apuram se houve execução sumária ou confronto armado.

Um dos policiais investigados também prestava serviços informais ao influenciador Hytalo Santos, preso em São Paulo sob suspeita de tráfico humano e exploração sexual infantil. Apesar disso, as autoridades afirmam que não há relação direta entre os casos.

O POVO PB

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