Ministério Público realiza operação em comunidade terapêutica de Santa Rita por denúncias de abuso e cárcere privado
30 set 2024 - Paraíba
Comunidade terapêutica em Santa Rita é investigada pelo Ministério Público — Foto: Reprodução
Uma ação do Ministério Público da Paraíba (MPPB), realizada nesta segunda-feira (30), investigou uma série de denúncias graves contra a Comunidade Terapêutica Recomeço, localizada na Zona Rural de Santa Rita, na Grande João Pessoa. O local é acusado de praticar cárcere privado, sequestro, trabalho forçado, abuso sexual e abuso químico. Durante a operação, três pessoas foram autuadas e levadas à delegacia para prestar esclarecimentos.
De acordo com as informações apuradas pela promotora Ana Maria França, que liderou a ação, a operação contou com o apoio de diversos órgãos, incluindo a Vigilância Sanitária e o Conselho Regional de Farmácia da Paraíba. No local, que abrigava aproximadamente 100 internos, foram encontradas várias irregularidades sanitárias, além de relatos de abusos.
A fiscalização revelou que os medicamentos no estabelecimento estavam sendo armazenados de forma inadequada e muitos estavam fora da validade. Os internos denunciavam o uso de medicação sem orientação médica adequada, sendo aplicados injetáveis e comprimidos indiscriminadamente, sem individualização dos tratamentos, o que viola as normas das comunidades terapêuticas.
“Todos os internos eram submetidos a horários de trancamento nos quartos, além de serem tratados com medicação química, caso fosse necessário ‘acalmar’ alguém. Não havia orientação médica para o uso desses remédios, o que é inaceitável em qualquer tipo de instituição terapêutica. Além disso, recebemos denúncias de abuso sexual”, relatou a promotora Ana Maria França.
A operação culminou no resgate de 48 internos que afirmaram ter sido internados contra sua própria vontade e relataram terem sido vítimas de agressões físicas e de trabalho forçado. As autoridades levaram à delegacia o diretor, o coordenador e um monitor da Comunidade Recomeço, que serão investigados para apurar sua responsabilidade nas acusações.
A assessoria jurídica da Comunidade Terapêutica Recomeço informou que aguardará o desenrolar das investigações para se pronunciar publicamente, após esclarecimentos junto à Justiça.
A promotoria confirmou que a investigação seguirá para averiguar detalhadamente as denúncias de sequestro, cárcere privado e outros abusos cometidos dentro da instituição. “Agora, vamos seguir com os procedimentos e processos de praxe para que esses crimes sejam apurados e os responsáveis, devidamente punidos”, finalizou a promotora.
O POVO PB com g1
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