Motorista de aplicativo tem conta banida após denúncia por intolerância religiosa
1 abr 2024 - Paraíba
Ministério Público da Paraíba notifica Uber por casos de racismo religioso em João Pessoa — Foto: Reprodução
A empresa de transporte por aplicativo Uber confirmou, nesta segunda-feira (1º), o banimento da conta de um motorista após uma denúncia por intolerância religiosa feita por uma mãe de santo. O incidente ocorreu quando a líder religiosa solicitou uma corrida saindo de um terreiro de Candomblé, em João Pessoa.
A denunciante, Lúcia de Oliveira, explicou que pediu a corrida mencionando o terreiro como ponto de referência para facilitar a localização do motorista. No entanto, o condutor respondeu com uma mensagem ofensiva, indicando que não aceitaria a corrida devido a motivos religiosos e cancelou o serviço em seguida.
Diante da gravidade da situação, a mãe de santo registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Homofóbicos, Étnicos-raciais e Delitos de Intolerância Religiosa de João Pessoa.
A Uber, em nota, reiterou sua posição contra qualquer forma de discriminação e afirmou estar disposta a colaborar com as autoridades competentes nas investigações. A empresa não especificou quando exatamente o banimento da conta do motorista ocorreu, citando questões de privacidade previstas na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também entrou no caso, notificando a empresa Uber sobre os atos de intolerância religiosa praticados por motoristas da plataforma. A promotora de Justiça Fabiana Maria Lobo da Silva destacou a gravidade do ocorrido e afirmou que o MPPB busca esclarecimentos sobre as medidas adotadas pela empresa para coibir tais práticas.
Segundo Fabiana Lobo, durante a investigação, a empresa poderá responder por danos morais coletivos, caso se comprove a ocorrência de ofensa à honra e aos valores de uma coletividade, especialmente no caso da comunidade de religiões de matriz africana.
A líder religiosa, ao relatar o incidente, expressou sua indignação e destacou o impacto emocional causado pela intolerância. Ela ressaltou a importância de não apenas denunciar casos como esse, mas também de buscar medidas efetivas para combater a discriminação religiosa e promover o respeito à diversidade de crenças e práticas religiosas.
O POVO PB
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