MP Eleitoral pede manutenção da cassação do prefeito de Cabedelo, André Coutinho, por compra de votos
21 set 2025 - Paraíba / Política
MP Eleitoral pede manutenção da cassação do prefeito de Cabedelo, André Coutinho, por compra de votos — Foto: Divulgação
A Procuradoria Regional Eleitoral na Paraíba (PRE-PB) pediu ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) a manutenção da sentença que cassou o mandato do prefeito de Cabedelo, André Coutinho (PL), por abuso de poder econômico e compra de votos nas eleições municipais de 2024. O parecer, assinado neste sábado (20) pelo procurador Renan Paes Félix, afasta, no entanto, a inelegibilidade da vice-prefeita Camila Holanda, por falta de provas de sua participação direta nos ilícitos.
A decisão de primeira instância, proferida em junho deste ano pela juíza Thana Carneiro Rodrigues, da 57ª Zona Eleitoral, também atingiu o ex-prefeito Vitor Hugo Castelliano, o vereador Márcio Silva e a ex-servidora Flávia Santos Lima Monteiro, todos condenados à cassação e à inelegibilidade por oito anos.
Operação “En Passant”
O caso veio à tona a partir da Operação “En Passant”, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2024. As investigações apontaram um suposto esquema de distribuição de cestas básicas, dinheiro em espécie e cargos públicos em troca de votos.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), documentos apreendidos na Prefeitura de Cabedelo e na residência de Flávia Monteiro comprovam a prática de ilícitos, incluindo listas de eleitores, cópias de títulos, promessas de empregos e transferências via PIX. Depoimentos e quebras de sigilo bancário reforçaram as suspeitas.
A investigação ainda identificou contratações na Prefeitura e na Câmara Municipal de pessoas com antecedentes criminais, indicadas por membros da facção criminosa conhecida como “Tropa do Amigão”.
O que diz o MP Eleitoral
No parecer, a PRE-PB destaca que as provas são “robustas e obtidas legalmente”, sustentando a condenação por compra de votos e abuso de poder econômico. No entanto, o procurador Renan Paes Félix entendeu que não há elementos suficientes para manter a inelegibilidade da vice-prefeita Camila Holanda, embora sua cassação seja mantida.
Outro lado
Em junho, após a decisão de primeira instância, o ex-prefeito Vitor Hugo afirmou que recebeu “com surpresa” a condenação, mas estava “tranquilo”.
A defesa do vereador Márcio Silva alegou que não há provas mínimas contra ele e destacou que obteve apenas 88 votos no bairro onde teria ocorrido o suposto favorecimento.
Já o prefeito André Coutinho e a vice Camila Holanda argumentaram que as provas são baseadas em investigações criminais e não poderiam ser usadas no processo eleitoral. Eles também negaram envolvimento em publicações feitas por apoiadores nas redes sociais.
O POVO PB
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