PGR denuncia Eduardo Bolsonaro e blogueiro Paulo Figueiredo por coação no curso do processo no STF
23 set 2025 - Brasil - Mundo
Dep. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) / Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo pelo crime de coação no curso do processo. A denúncia foi protocolada no âmbito do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e que apura a atuação do parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros da Corte.
De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os acusados, que estão nos EUA, ajudaram a articular “graves sanções” contra o Brasil, com o objetivo de pressionar o STF a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.
Na denúncia, Gonet afirmou que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo atuaram de forma a “instaurar clima de instabilidade e de temor”, projetando sobre as autoridades brasileiras a possibilidade de represálias internacionais e sobre a população o risco de isolamento político do país.
Segundo o procurador, os dois se apresentaram em redes sociais e entrevistas como articuladores das sanções e chegaram a cobrar publicamente que o Supremo não condenasse Bolsonaro em troca de desativar as medidas de pressão.
“Apresentaram-se como patrocinadores dessas sanções, como seus articuladores e como as únicas pessoas capazes de desativá-las. Para a interrupção dos danos, objeto das ameaças, cobraram que não houvesse condenação criminal de Jair Bolsonaro na AP 2.668”, destacou Gonet.
Caso a denúncia seja aceita pelo STF, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo se tornarão réus, a exemplo de outros envolvidos no processo sobre a trama golpista. O relator do inquérito é o ministro Alexandre de Moraes.
O ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado no mesmo inquérito, mas não foi denunciado neste momento. Atualmente, o ex-chefe do Executivo cumpre prisão domiciliar, usa tornozeleira eletrônica e foi condenado, no início deste mês, por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e dano qualificado.
Quem é Paulo Figueiredo
Neto do ex-general João Batista Figueiredo, último presidente da ditadura militar, Paulo Figueiredo vive nos Estados Unidos, possui visto permanente de residência e atua como empresário e blogueiro. Ele também já foi denunciado em outro processo por divulgação de notícias falsas relacionadas à tentativa de ruptura institucional.
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