O Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar a oferecer, a partir de outubro, três…
SUS amplia oferta de medicamentos contra o câncer; Paraíba está entre os estados contemplados
21 out 2026 - Notícias
SUS amplia oferta de medicamentos contra o câncer; Paraíba está entre os estados contemplados — Foto: Divulgação
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (20) o início da oferta de nove medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida contempla 13 indicações terapêuticas e deve beneficiar mais de 116 mil pacientes em todo o Brasil.
A Paraíba está entre os estados que receberão as primeiras remessas. Segundo o governo federal, a distribuição começa em 20 centros de tratamento espalhados pelo país, com previsão de expansão para os demais serviços de oncologia até o fim de 2026. As unidades paraibanas contempladas ainda não foram detalhadas pelo ministério.
Os medicamentos atendem pacientes com diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de casos de leucemia, linfomas e tumores neuroendócrinos.
Quais são os nove medicamentos disponibilizados pelo SUS?
De acordo com o Ministério da Saúde, os medicamentos são indicados para situações clínicas específicas, conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as características de cada paciente. Confira a lista:
- Trastuzumabe: para determinados casos de câncer de estômago ou da junção entre o esôfago e o estômago.
- Abemaciclibe: para alguns casos de câncer de mama, inclusive em estágio inicial, com características específicas dos receptores hormonais e dos linfonodos.
- Acetato de lanreotida: para determinados tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: para câncer renal de células claras em estágio metastático.
- Rituximabe: para leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma.
- Abiraterona: para casos específicos de câncer de próstata, conforme a resposta à hormonioterapia e a presença de metástases.
- Gefitinibe: para determinados casos de câncer de pulmão de não pequenas células, como tratamento inicial.
- TSH recombinante (alfatirotropina): para pacientes com câncer diferenciado da tireoide que têm indicação de tratamento com iodo radioativo.
- Sunitinibe: para câncer renal de células claras metastático e determinados tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados ou metastáticos.
A oferta não significa que todos os pacientes com esses diagnósticos terão indicação para os medicamentos. A prescrição depende dos critérios clínicos estabelecidos e da avaliação da equipe responsável pelo tratamento.
Segundo o ministério, o investimento anual na aquisição desses nove medicamentos será de aproximadamente R$ 155,4 milhões.
Governo prevê mais 23 tratamentos oncológicos
Além dos nove medicamentos, o Ministério da Saúde pretende ampliar a oferta de tratamentos contra o câncer no SUS até dezembro de 2026.
A estratégia prevê a inclusão de 23 medicamentos, por meio de diferentes modalidades de compra, negociação de preços e ampliação de repasses aos serviços de saúde. O investimento estimado para o conjunto das medidas é de R$ 4 bilhões por ano.
SUS vai distribuir 400 mil testes para rastrear câncer de intestino
Outra medida anunciada é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para ajudar no rastreamento do câncer colorretal.
O exame detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes, mesmo quando não são visíveis. O resultado pode indicar a necessidade de investigar alterações como pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores.
A estratégia será direcionada inicialmente a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas. A distribuição gradual está prevista para começar em novembro, em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.
O teste não confirma sozinho o diagnóstico de câncer. Se o resultado indicar a presença de sangue, o paciente deverá passar por avaliação médica e poderá ser encaminhado para uma colonoscopia.
Cirurgias e exames também terão financiamento ampliado
O pacote de medidas inclui o financiamento de cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão. A técnica é minimamente invasiva e utiliza pequenas incisões, uma câmera e instrumentos específicos.
O Ministério da Saúde prevê investir R$ 46 milhões por ano para custear esses procedimentos. Entre os benefícios potenciais estão a redução do tempo de internação e do risco de complicações pós-operatórias em pacientes selecionados.
O governo também anunciou o aumento dos recursos destinados à iodoterapia, tratamento que utiliza iodo radioativo, além de mudanças no financiamento de medicamentos oncológicos e de exames, como os anatomopatológicos e os de biologia molecular.
As iniciativas têm como objetivo ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer pela rede pública. Na Paraíba, a implementação dos novos medicamentos dependerá da organização dos serviços de oncologia participantes e da divulgação dos fluxos de atendimento aos pacientes.
O POVO PB
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