Pediatra acusado de estupros de crianças tinha momentos de lazer enquanto estava foragido

8 mar 2025 - Paraíba

Pediatra acusado de estupros de crianças tinha momentos de lazer enquanto estava foragido — Foto: Reprodução

A Polícia Civil da Paraíba divulgou imagens do pediatra Fernando Cunha Lima, acusado de estuprar seis crianças, desfrutando de momentos de lazer enquanto estava foragido da Justiça. Nas fotos, ele aparece tomando banho de piscina em um hotel, saboreando um sorvete e bebendo cerveja em um restaurante. O médico, de 81 anos, foi preso na manhã desta sexta-feira (7) no município de Paulista, em Pernambuco.

As imagens são dos primeiros meses da fuga de Cunha Lima. Segundo o delegado-geral André Rabelo, o acusado manteve uma rotina de lazer no estado vizinho, mas passou a se esconder conforme o cerco policial se fechava. Ele ficou foragido por quatro meses e, após a prisão, foi encaminhado para a Central de Polícia, em João Pessoa.

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Captura e investigação

A prisão ocorreu em um imóvel alugado na praia do Janga, em Paulista. O médico não resistiu à abordagem e utilizava uma bengala para se locomover. Ele estava acompanhado da esposa e contava com uma rede de apoio para seguir escondido.

De acordo com a Polícia Civil, as imagens divulgadas serão anexadas ao processo como parte da investigação. Desde novembro, Cunha Lima se deslocava entre diferentes endereços na Região Metropolitana do Recife para evitar a captura. A esposa também não foi vista em locais públicos, mas era responsável por comprar mantimentos e realizar outras tarefas para o fugitivo.

O delegado Rafael Bianchi revelou que o pediatra recebia suporte logístico de pessoas fora do círculo familiar, incluindo alimentação, compra de remédios e até celulares. “Havia uma estrutura organizada para burlar o aparato da Justiça e dificultar sua prisão”, afirmou.

Médico debocha da Justiça

Ao ser preso, Fernando Cunha Lima demonstrou confiança de que não permaneceria na cadeia. “Agora, com a minha doença, eu não vou ficar preso”, declarou à imprensa. Questionado se tinha certeza, ele respondeu: “Tenho. Vou ficar só dois dias e saio”.

A declaração gerou indignação entre os investigadores. “É um alvo de idade avançada, instruído, que debocha do Estado e da Justiça”, afirmou o delegado-geral André Rabelo. “Enquanto tentamos proteger a sociedade, ele se vangloria da impunidade. Quantas outras vítimas podem existir além das seis que conseguimos identificar?”.

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Defesa pede habeas corpus

A defesa do pediatra informou que entrou com um habeas corpus contra a transferência do médico para João Pessoa. Segundo os advogados, ele solicitou prisão em Recife por temer por sua segurança e por ter família na cidade. No entanto, a Polícia Civil alega que a remoção foi feita a pedido do próprio acusado, que teria manifestado o desejo de ficar perto de seus parentes na capital paraibana.

A Justiça determinou que a audiência de custódia ocorra em Pernambuco, onde ele foi detido. A Polícia Civil da Paraíba, por sua vez, espera que o médico seja transferido de volta ao estado para cumprir prisão preventiva.

Acusações e histórico do caso

Fernando Cunha Lima é investigado por estupro de vulnerável contra seis crianças, incluindo duas sobrinhas. A primeira denúncia ocorreu em julho de 2024, quando a mãe de uma vítima flagrou o abuso dentro do consultório e acionou a polícia. Com a repercussão, outras vítimas procuraram as autoridades.

O Ministério Público apresentou denúncias em dois processos distintos. No primeiro, quatro vítimas relataram abusos; no segundo, mais duas crianças foram incluídas. Durante décadas, o pediatra foi uma referência na medicina infantil em João Pessoa, atendendo gerações de crianças em uma clínica particular no bairro de Tambauzinho.

O Tribunal de Justiça da Paraíba determinou a prisão preventiva do médico após cinco pedidos negados ao longo das investigações. Em novembro de 2024, os desembargadores acolheram um recurso do MP e decretaram a prisão. “A necessidade de impedir novos crimes justifica a custódia preventiva para garantia da ordem pública”, declarou o desembargador Ricardo Vital.

A Polícia Civil segue investigando o caso e não descarta novas denúncias contra o acusado.

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