Policial militar confessa disparo que matou casal em João Pessoa; colega havia sido indiciado

22 ago 2025 - Paraíba

Policial militar confessa disparo que matou casal em João Pessoa; colega havia sido indiciado — Foto: Divulgação

A morte do casal Ana Luíza e Guilherme, ocorrida na madrugada de 1º de dezembro de 2024, em João Pessoa, ganhou um novo capítulo nesta semana. Um policial militar, em entrevista ao lado do advogado Luiz Pereira, admitiu ter sido o autor do disparo que atingiu os jovens. Até então, o caso era tratado como acidente de trânsito e, posteriormente, como homicídio causado por tiro de fuzil calibre 5,56, com o indiciamento de outro PM, o soldado Tiago Almeida.

O casal seguia de moto pela estrada que liga Paratibe a Gramame, quando se chocou contra um poste. No primeiro momento, a hipótese levantada foi de um acidente fatal. No entanto, após pedido da família das vítimas, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) determinou a exumação dos corpos. O laudo pericial concluiu que a perfuração no capacete havia sido provocada por arma de fogo.

Casal morto em suposto acidente de moto em João Pessoa pode ter sido vítima de crime: nova perícia será realizada após 4 meses — Foto: Reprodução

Confissão altera rumo da apuração

O policial, que não teve a identidade revelada por questões de segurança, declarou que o disparo partiu de sua pistola 9 mm durante uma abordagem de rotina. Ele afirma que se tratou de um tiro acidental e nega o uso de fuzil na ocorrência.

“Foi efetuado um disparo acidental quando manobrava a viatura. O tiro foi em direção ao solo, mas acabou atingindo o casal. Achei injusto que meu colega estivesse sendo acusado por algo que não cometeu”, declarou o militar.

A defesa do policial já comunicou que pretende formalizar a confissão perante o Ministério Público e à delegada responsável pelo inquérito, para evitar que Almeida seja denunciado injustamente.

O laudo pericial inicial apontou que o projétil encontrado no capacete seria de fuzil calibre 5,56. O militar, no entanto, reforçou que portava apenas a pistola no dia e que nenhum fuzil foi disparado na ação.

Segundo ele, as munições de fuzil que estavam na viatura foram devolvidas integralmente ao final do serviço, sem registro de disparos.

Casal de jovens que morre em acidente na PB-008; familiares suspeitam de disparos de arma de fogo — Foto: Reprodução

Família pediu reabertura da investigação

A família das vítimas sempre contestou a versão de acidente de trânsito. Com apoio do MPPB, solicitou a exumação e novas perícias, o que levou ao indiciamento do soldado Almeida. Agora, com a confissão do colega, a linha de investigação pode ser alterada.

O advogado Luiz Pereira, que representa o militar que confessou o disparo, afirmou que pedirá a inclusão do novo depoimento no processo:

“O soldado se apresentou espontaneamente para evitar uma injustiça. Ele confirma que o único tiro partiu de sua arma, de forma acidental, e não de um fuzil, como consta no laudo. Queremos que essa versão seja considerada antes de qualquer denúncia.”

O Ministério Público deve avaliar se o novo depoimento será incorporado ao processo antes da conclusão da denúncia. Caso confirmado, o indiciamento do soldado Almeida pode ser revisto.

Enquanto isso, a família das vítimas cobra que a investigação siga até que todas as circunstâncias sejam esclarecidas.

O POVO PB com Tv Arapuan

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