Pai que confessou matar filho autista em João Pessoa respondeu mensagens da mãe após crime: “Tudo bem sim. Fica tranquila”

3 nov 2025 - Paraíba

Pai que confessou matar filho autista em João Pessoa respondeu mensagens da mãe após crime: “Tudo bem sim. Fica tranquila” — Foto: Reprodução

O pai que confessou ter matado o próprio filho, o menino Arthur Davi Velasquez, de 11 anos, trocou mensagens com a mãe da criança depois de já ter cometido o crime, segundo informações da Polícia Civil da Paraíba. Em uma das respostas, o homem escreveu: “Tudo bem sim. Fica tranquila” — quando, de acordo com a perícia, Arthur já estava morto.

O autor confesso, identificado como Davi Piazza Pinto, foi preso no domingo (2) em Santa Catarina, após se apresentar espontaneamente à polícia e confessar o homicídio. O corpo da criança foi encontrado na noite do sábado (1º), enterrado em uma área de mata no bairro Colinas do Sul, em João Pessoa.

Davi Piazza Pinto foi preso em flagrante, neste domingo (2), suspeito de matar o próprio filho, um menino autista de 11 anos — Foto: Reprodução

As mensagens foram trocadas durante o sábado (1º), dia em que o crime teria ocorrido. Segundo o relato da mãe, Aline Lorena, o pai havia viajado de Florianópolis (SC) até a capital paraibana dizendo que queria passar um tempo com o filho e ajudar nos cuidados com ele.

Arthur, que era autista, ficou sob os cuidados do pai desde a sexta-feira (31). Na manhã do sábado, às 8h14, Davi enviou a última mensagem dizendo que estava saindo do local onde estava hospedado.

Pouco depois, Aline enviou uma sequência de mensagens perguntando se o filho estava bem:

“Tudo bem por aí? Arthur foi ao banheiro e comeu?”, escreveu a mãe, pedindo uma foto da criança.

Davi respondeu apenas: “Quando der eu mando a foto” e prometeu falar mais tarde. Às 9h45, Aline insistiu no pedido, mas passou o dia sem resposta. Já no fim da tarde, às 17h51, ela enviou nova mensagem, preocupada: “Está tudo bem?”. Foi então que o pai respondeu friamente: “Tudo bem sim. Fica tranquila. Quando der eu falo com você”.

De acordo com a polícia, nesse momento Arthur já estava morto.

Mãe de menino autista morto pelo pai em João Pessoa diz que deixou tudo preparado para a estadia do filho: “Não passava pela minha cabeça o que ia acontecer” — Foto: Reprodução

As investigações apontam que Davi matou o filho por asfixia dentro do apartamento onde estava hospedado em João Pessoa. Após o crime, o suspeito colocou o corpo em um saco plástico preto e o transportou em um carro de aplicativo até o bairro Colinas do Sul, onde enterrou a criança em uma cova rasa, próxima a uma antiga fábrica abandonada.

A causa da morte foi confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML) como asfixia por sufocação. Outros exames, como o toxicólogico, ainda estão sendo analisados. O corpo foi liberado para a família no domingo (2) e sepultado na segunda-feira (3) no Cemitério do Cristo Redentor, em João Pessoa.

O relato da mãe

Durante o enterro, Aline Lorena contou que havia deixado tudo preparado para o filho passar o fim de semana com o pai — desde roupas e alimentos até orientações sobre o comportamento da criança.

“Expliquei tudo. Arthur é uma criança autista, tem suas manias, seus horários. Eu comprei o que ele gostava de comer, deixei as roupinhas arrumadas e pedi que o pai me avisasse se ele se irritasse no caminho”, disse a mãe.

“Não passava pela minha cabeça o que ia acontecer. O Arthur foi uma criança incrível. Nasceu de cinco meses, com 800 gramas. Lutamos a vida inteira por ele. O que aconteceu só cabe à Justiça agora”, completou emocionada.

Entenda o caso

O delegado Bruno Germano, responsável pela investigação, informou que o pai tinha pouco contato com o filho e havia procurado a mãe recentemente para tentar uma reaproximação.

“O pai recebeu a criança na sexta-feira para momentos em família. Ele dizia à mãe que estava tudo bem, mas não enviava fotos. No domingo, arrependido, ligou dizendo que tinha matado a criança, revelou o local onde ocultou o corpo e se entregou à polícia”, explicou o delegado.

O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de João Pessoa, em conjunto com a Polícia Civil de Santa Catarina.

Corpo de criança morta pelo pai foi enterrado nesta segunda-feira (3), em João Pessoa — Foto: Reprodução

O POVO PB

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