Quem é o delegado acusado de desviar drogas apreendidas e abastecer tráfico na Paraíba, apontado por investigação

2 jun 2026 - Manchete Destaque

Delegado Braz Morroni está entre os presos da operação — Foto: Reprodução

Uma investigação que chocou os bastidores da segurança pública da Paraíba colocou no centro das acusações um delegado da Polícia Civil com mais de 20 anos de carreira. Preso nesta terça-feira (2), durante a Operação Perfídus, Braz Morroni é suspeito de integrar um esquema criminoso que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, desviava drogas apreendidas em operações e repassava informações sigilosas para traficantes.

O caso ganhou ainda mais repercussão após os investigadores revelarem que parte dos entorpecentes apreendidos em ações policiais teria sido desviada e revendida ilegalmente, inclusive com destino ao sistema prisional.

Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, integrantes da organização criminosa tinham acesso privilegiado a informações sobre imóveis, veículos e rotas utilizadas por traficantes.

Com esses dados em mãos, eram realizadas ações clandestinas que simulavam operações policiais. A suspeita é de que parte das drogas encontradas não era oficialmente registrada, sendo desviada para comercialização posterior.

Outro ponto considerado grave pelos investigadores é o suposto vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais. Segundo a apuração, traficantes eram avisados antecipadamente sobre ações das forças de segurança, conseguindo fugir ou esconder materiais ilícitos antes da chegada da polícia.

O nome da operação, Perfídus, faz referência à palavra “perfídia”, que significa traição ou deslealdade, numa alusão à conduta atribuída aos investigados.

Quem é Braz Morroni?

Braz Morroni de Paiva Júnior ingressou na Polícia Civil da Paraíba em agosto de 2004. Ao longo da carreira, passou por delegacias em Cuité, Itabaiana, Campina Grande e também atuou na Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

Em 2019, assumiu a chefia da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, unidade estratégica da Polícia Civil para investigação de roubos, furtos e crimes patrimoniais.

A defesa do delegado não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.

Policiais tinham funções definidas dentro do grupo, diz polícia

Além de Braz Morroni de Paiva Júnior , outros dois policiais civis foram presos.

Um deles é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”. Segundo a Polícia Civil, ele seria o principal operador da organização, responsável por fazer a ligação entre integrantes da corporação e traficantes.

Já Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, é apontado como participante direto no monitoramento de carregamentos de drogas. As investigações indicam que ele utilizava rastreadores, acompanhava movimentações e teria armazenado entorpecentes em imóveis particulares.

Veja quem são os demais presos

Também foram alvos da Operação Perfídus:

  • João Wicttor Alves de Lima;
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
  • José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”;
  • Vanessa Dantas Fernandes;
  • Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.

As defesas dos investigados não foram localizadas até a última atualização desta reportagem.

A Polícia Civil e o Ministério Público afirmam que a operação representa apenas uma etapa das investigações. Os materiais apreendidos, incluindo celulares, computadores e documentos, passarão por análise para identificar novos envolvidos e aprofundar a apuração sobre o suposto esquema criminoso.

O POVO PB

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