Uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar foi deflagrada no início da manhã…
VÍDEO: falsa operação policial sem registro oficial levou à prisão de delegado e agentes acusados de desviar drogas na Paraíba
7 jun 2026 - Notícias
Imagens de uma abordagem realizada por uma viatura da Polícia Civil chamaram atenção dos investigadores após a ocorrência não aparecer nos sistemas oficiais. — Foto: Reprodução
Uma denúncia anônima, vídeos, interceptações telefônicas e meses de investigação resultaram na descoberta de um dos mais graves esquemas de corrupção policial já apurados na Paraíba nos últimos anos. A Operação Perfídus, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba, revelou a suposta atuação de uma organização criminosa formada por policiais civis e traficantes, que teria utilizado a própria estrutura do Estado para praticar crimes e lucrar com o tráfico de drogas.
Entre os presos está o delegado Braz Morroni, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, além de dois investigadores da Polícia Civil. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.
Segundo os órgãos responsáveis pela apuração, tudo começou após a circulação de um vídeo que mostrava uma viatura da Polícia Civil interceptando um veículo na Capital. O que aparentava ser uma ação policial de rotina chamou atenção dos investigadores quando não foi encontrado qualquer registro oficial da ocorrência nos sistemas da corporação.
A suspeita é que a droga encontrada no veículo tenha sido desviada e posteriormente revendida de forma clandestina, sem que a apreensão fosse formalizada.
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Vídeo de viatura em ação suspeita levou à descoberta de esquema de tráfico com delegado Braz Morroni, diz investigação — Foto: Reprodução
Como funcionava o esquema
As investigações apontam que integrantes da organização tinham acesso privilegiado a informações sigilosas sobre imóveis, veículos, rotas e movimentações ligadas ao tráfico de drogas.
Com esses dados, os investigados realizavam abordagens e operações paralelas, simulando ações policiais legítimas. Parte dos entorpecentes apreendidos não era registrada oficialmente e acabava sendo desviada para abastecer o mercado ilegal.
Outro detalhe considerado alarmante pelos investigadores é o suposto vazamento sistemático de informações sobre operações policiais. Conforme a apuração, traficantes eram avisados previamente sobre ações das forças de segurança, o que permitia fugas, ocultação de drogas e frustração de prisões.
Um dos principais alvos da operação é o delegado Braz Morroni, que ingressou na Polícia Civil da Paraíba em 2004 e acumulava mais de duas décadas de atuação na segurança pública.
Ao longo da carreira, ele passou por delegacias em Cuité, Itabaiana e Campina Grande, além de atuar na Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Desde 2019, ocupava a chefia da DCCPAT, uma das unidades mais importantes da Polícia Civil paraibana.
Investigadores tinham papéis definidos, diz polícia
De acordo com a Polícia Civil, os outros dois agentes presos exerciam funções estratégicas dentro do esquema.
Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, é apontado como o operador central da organização, responsável pela comunicação entre policiais e traficantes.
Já Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, teria atuado diretamente no monitoramento de carregamentos de drogas, utilizando rastreadores e acompanhando movimentações ligadas ao tráfico. A investigação também aponta que ele escondia entorpecentes em imóveis particulares.
Veja os demais presos na Operação Perfídus
- João Wicttor Alves de Lima;
- Brendo Roberth Fernandes Sobral;
- Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
- José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”;
- Vanessa Dantas Fernandes;
- Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.
O que dizem as defesas
Em nota, a defesa do delegado Braz Morroni afirmou que as acusações se baseiam em relatórios policiais construídos a partir de conversas indiretas entre outros investigados e sustentou que não existe qualquer diálogo interceptado envolvendo diretamente o delegado com integrantes do suposto esquema.
Os advogados também alegam que houve falha na individualização das condutas e defendem que Braz Morroni está sendo acusado antes mesmo da conclusão das investigações.
Já a defesa do investigador Everton Rychelyson Aires informou que está formalmente constituída no processo e reafirmou a inocência do policial civil. Em nota, o escritório responsável declarou que atua para garantir o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, ressaltando que o trabalho técnico está sendo realizado diretamente nos autos.
A defesa de Eduardo Jorge Ferreira do Egito também informou que o investigado nega qualquer participação nos fatos apurados e destacou que a prisão decretada possui caráter temporário, não representando condenação ou reconhecimento de culpa.
Significado do nome da operação
O nome “Perfídus” tem origem na palavra “perfídia”, que significa traição, deslealdade ou quebra de confiança. Segundo os investigadores, a escolha faz referência direta à suspeita de que agentes públicos teriam utilizado o cargo e a estrutura estatal para beneficiar organizações criminosas.
O POVO PB
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