Operação Perfídus: escutas e movimentações financeiras indicam divisão de dinheiro do tráfico entre investigados, diz apuração

7 jun 2026 - Notícias

Vídeo de viatura em ação suspeita levou à descoberta de esquema de tráfico com delegado Braz Morroni, diz investigação — Foto: Reprodução

As investigações da Operação Perfídus continuam revelando detalhes que chamaram a atenção das autoridades paraibanas. Um dos trechos considerados mais graves pela Polícia Civil e pelo Ministério Público aponta que o delegado Braz Morroni teria ido pessoalmente a uma delegacia para recolher uma parcela do dinheiro que, segundo a apuração, era proveniente da venda ilegal de drogas desviadas de apreensões policiais.

A informação consta na decisão judicial que autorizou os mandados de prisão e de busca e apreensão cumpridos na última terça-feira (2/6), em João Pessoa. A operação resultou na prisão de nove pessoas, entre policiais civis e suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Segundo a investigação, o grupo movimentava altas quantias financeiras e utilizava contas de familiares e empresas de fachada para dificultar o rastreamento do dinheiro. Quebras de sigilo telefônico e bancário revelaram uma movimentação milionária considerada incompatível com a renda declarada dos investigados.

Disputa por R$ 18 mil expôs suposto esquema

De acordo com a decisão judicial, interceptações telefônicas apontam que os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, discutiram a possibilidade de esconder do delegado uma negociação envolvendo R$ 18 mil obtidos com a comercialização de drogas supostamente desviadas.

A apuração indica que, em 8 de dezembro de 2025, Everton teria reclamado das cobranças feitas por Braz Morroni e cogitado não repassar ao delegado a quantia que seria destinada a ele. Conforme a investigação, a intenção seria manter o dinheiro dentro do esquema e reinvesti-lo no tráfico.

No entanto, segundo a decisão da Justiça, 22 dias depois Braz Morroni teria comparecido pessoalmente à delegacia para recolher sua suposta parte do valor arrecadado.

Outro ponto destacado pelos investigadores envolve transferências bancárias consideradas suspeitas. Conforme a Polícia Civil, foram identificados repasses financeiros realizados por Everton Aires para contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que fariam referência à divisão de lucros obtidos com o comércio ilegal de entorpecentes.

A investigação sustenta ainda que Braz Morroni utilizaria sua posição hierárquica dentro da corporação para oferecer proteção institucional ao grupo, além de cobrar agilidade na recuperação de valores oriundos de drogas vendidas a prazo.

Escutas e movimentações financeiras indicam divisão de dinheiro do tráfico entre investigados, diz apuração — Foto: Reprodução

Operação bloqueou R$ 10 milhões

A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de desviar drogas apreendidas durante operações policiais para posterior revenda ilegal. O grupo também é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e repasse de informações sigilosas a traficantes.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

O nome da operação deriva do termo latino “Perfídus”, que significa traição ou deslealdade, em referência à conduta atribuída aos suspeitos.

O que dizem as defesas

Em nota, a defesa do delegado Braz Morroni afirmou que as acusações se baseiam em relatórios policiais construídos a partir de conversas indiretas entre outros investigados e sustentou que não existe qualquer diálogo interceptado envolvendo diretamente o delegado com integrantes do suposto esquema.

Os advogados também alegam que houve falha na individualização das condutas e defendem que Braz Morroni está sendo acusado antes mesmo da conclusão das investigações.

Já a defesa do investigador Everton Rychelyson Aires informou que está formalmente constituída no processo e reafirmou a inocência do policial civil. Em nota, o escritório responsável declarou que atua para garantir o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, ressaltando que o trabalho técnico está sendo realizado diretamente nos autos.

A defesa de Eduardo Jorge Ferreira do Egito também informou que o investigado nega qualquer participação nos fatos apurados e destacou que a prisão decretada possui caráter temporário, não representando condenação ou reconhecimento de culpa.

O POVO PB

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