Áudio revela suposto esquema para delegado receber R$ 60 mil em dinheiro vivo após desvio de drogas na Paraíba

17 jul 2026 - Manchete Destaque

Investigação da Operação Perfídus aponta que valor seria repassado a Braz Morroni sem movimentação direta na conta bancária dele. Delegado e dois agentes da Polícia Civil seguem presos — Foto: Reprodução

Um áudio obtido durante as investigações da Operação Perfídus detalha um suposto esquema montado para que o delegado Braz Morroni recebesse R$ 60 mil em dinheiro vivo, evitando uma transferência bancária direta que pudesse deixar rastros da movimentação.

Segundo a investigação da Polícia Civil da Paraíba, a conversa envolve o agente Everton Aires, conhecido como “Bomba”, e um homem identificado como Isaque Pontes Costa, chamado de “Shelby”. No diálogo, Bomba orienta que os R$ 60 mil sejam transferidos para uma conta ligada à construtora de Eduardo Jorge, o “Mão Branca”, também agente da Polícia Civil e investigado no caso.

A suspeita é de que Eduardo sacaria o dinheiro para, posteriormente, entregar o valor em espécie ao delegado.

“O delegado quer receber a parte dele em cash”, afirma Everton em um dos trechos do áudio, ao explicar que Braz não aceitaria receber o pagamento diretamente por Pix.

Na sequência da conversa, segundo a investigação, Shelby afirma que preferia realizar toda a movimentação por transferência bancária e relata utilizar contas de terceiros mediante pagamentos para dificultar o rastreamento dos valores.

Dinheiro seria de carga de drogas desviada, aponta investigação

De acordo com a Polícia Civil, os R$ 60 mil estariam relacionados à venda de parte de uma carga de drogas supostamente desviada durante uma apreensão realizada em 12 de setembro de 2025. A investigação aponta que aproximadamente 57 quilos de entorpecentes teriam sido retirados do material apreendido.

A Polícia Civil concluiu o inquérito envolvendo Braz Morroni e pediu à Justiça a conversão da prisão temporária do delegado em prisão preventiva. Everton Aires e Eduardo Jorge também permanecem presos desde a deflagração da Operação Perfídus.

A defesa de Braz Morroni não havia se manifestado sobre o conteúdo dos áudios até a última atualização do caso. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Operação Perfídus

A Operação Perfídus investiga a atuação de uma suposta organização criminosa envolvendo agentes públicos e outros investigados. Entre os crimes apurados estão tráfico de drogas, corrupção, desvio de entorpecentes apreendidos e vazamento de informações sigilosas.

A operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões relacionados aos investigados.

Segundo a Polícia Civil, Everton Aires seria um dos principais operadores do suposto esquema e faria a ligação entre policiais e integrantes do tráfico. Eduardo Jorge, por sua vez, é investigado por possível participação direta no desvio de drogas e no armazenamento de entorpecentes.


O POVO PB

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