A Justiça da Paraíba prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do delegado Braz…
Áudios da Operação Perfídus revelam suposto esquema de tráfico e citam delegado Braz Morroni
1 jul 2026 - Notícias
Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” — Foto: Divulgação
Novos detalhes da Operação Perfídus vieram à tona com a análise de mais de 40 mil áudios apreendidos durante as investigações da Polícia Civil da Paraíba. O material reúne conversas que, segundo os investigadores, reforçam a suspeita de participação de integrantes da corporação em um esquema de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.
Entre os diálogos analisados estão mensagens atribuídas ao policial civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, apontado como um dos principais operadores da organização criminosa.
A investigação mostra que, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, Everton recebeu R$ 198.950 em depósitos feitos em dinheiro vivo, sem identificação dos depositantes. A movimentação financeira considerada atípica levou os investigadores a cruzarem os dados bancários com o conteúdo dos aparelhos eletrônicos apreendidos.
Um dos áudios considerados mais relevantes foi gravado em 12 de novembro de 2025, mesma data em que “Bomba” recebeu R$ 62 mil em depósitos sem identificação. Na conversa, ele fala com um investigado identificado como José Alexandrino de Lira Júnior sobre a origem dos entorpecentes.
“Essas vieram lá do Acre, daquela Família do Norte. Eles ficavam mandando pra cá. Aí vinha só com essas embalagens transparentes. O cara da Okaida queria, ele enrolava de fita amarela. O cara do Comando Vermelho queria e ele enrolava de fita vermelha”, diz o áudio atribuído ao investigado.
Em outra gravação, Everton afirma que parte da droga foi distribuída a uma pessoa identificada como “Dudu” e também utilizada como forma de pagamento a informantes.
“Acho que a gente passou para o Dudu… Teve a dos informantes que a gente passou. Pagou com material, tinha demais”, afirma.
As conversas ainda indicam uma estratégia para armazenar parte dos entorpecentes e colocá-los novamente em circulação apenas quando houvesse escassez da droga no mercado ilegal, influenciando o preço da venda.
Em um dos trechos, o investigado também menciona que a decisão precisaria ser discutida com outras pessoas envolvidas, citando nominalmente o delegado Braz Morroni.
“Qualquer coisa também está guardadinha. O grosso ficou com a gente. Quando ele queimar a deles, a gente joga a da gente… Antes eu tenho que conversar com o povo, saber se todo mundo aceita… principalmente por causa do delegado, que está nisso também.”
As declarações fazem parte do conjunto de provas reunidas pela Polícia Civil e ainda serão analisadas ao longo do inquérito. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o mérito das acusações, e os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
Operação Perfídus
Deflagrada pela Polícia Civil, a Operação Perfídus investiga uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e civis suspeitos de atuar no tráfico de drogas, corrupção e favorecimento de atividades criminosas.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em contas ligadas aos investigados.
Entre os presos estão o delegado Braz Morroni, os policiais civis Everton Rychelyson da Silva Aires (“Bomba”) e Eduardo Jorge Ferreira do Egito (“Mão Branca”), além de outros investigados apontados como integrantes do grupo. Apenas Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”) continua foragido.
Portal O POVO PB
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