Família de Ana Sophia pede reabertura de inquérito dois anos após desaparecimento da menina em Bananeiras, na PB

21 jul 2025 - Paraíba

Ana Sophia entrou na casa de Tiago antes de sumir — Foto: Divulgação

Dois anos após o desaparecimento da menina Ana Sophia, de 8 anos, no distrito de Roma, município de Bananeiras, no Brejo da Paraíba, a família da criança pede a reabertura do inquérito policial que investigou o caso. O corpo da menina nunca foi encontrado, e os pais alegam que a dor da incerteza se mantém viva, mesmo com o encerramento das investigações e o arquivamento do caso.

A Polícia Civil concluiu o inquérito com a identificação do principal suspeito, Tiago Fontes, que foi encontrado morto meses após o desaparecimento da menina, em uma área de mata fechada. Apesar disso, os pais da vítima — João Simplício e Maria do Socorro — afirmam que diversas provas e depoimentos deixaram de ser considerados e pedem novas diligências.

“Eu peço, em nome do Senhor Jesus, que ele [o juiz] releia esse inquérito. Tenho fé que eles vão ver que há depoimentos que precisam ser ouvidos novamente”, afirmou a mãe da criança.

Pedido está sob análise do Ministério Público

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) confirmou que recebeu o pedido de reabertura do inquérito e está avaliando se existem fundamentos legais que justifiquem a retomada das investigações. Caso o parecer seja favorável, caberá ao Judiciário decidir se a Polícia Civil deve reabrir o caso.

Em nota, a Polícia Civil da Paraíba reiterou que o caso foi “rigorosamente apurado”, com o uso de recursos investigativos e apoio técnico da Polícia Federal. O inquérito, segundo a corporação, produziu provas periciais e testemunhais suficientes para elucidar o crime, que teria sido cometido com motivação sexual.

Ainda de acordo com a polícia, o relatório final foi acatado pelo Ministério Público, que solicitou o arquivamento, diante da morte do suspeito e da robustez das provas. O conteúdo completo do inquérito segue em sigilo judicial.

Pais e advogados contestam investigação

Os advogados da família de Ana Sophia criticam a condução do inquérito e apontam falhas investigativas, como a não consideração de pistas relevantes e a ausência de novas linhas de apuração. A defensora Vera Franco afirma que há elementos não analisados e que testemunhas importantes não foram ouvidas adequadamente.

“Encontramos muitos fatos que deixaram de ser analisados, muitas pistas que não foram seguidas. Então, decidimos que é necessário que se reabra esse inquérito”, declarou a advogada.

Relembre o caso

Ana Sophia desapareceu em 4 de julho de 2023, após sair de casa para visitar uma amiga. Câmeras de segurança a registraram caminhando próxima ao local onde, mais tarde, um vulto semelhante ao dela foi filmado entrando na casa do principal suspeito, Tiago Fontes, que morava em frente à residência da família da menina.

Segundo o inquérito, Tiago já pesquisava formas de matar crianças por asfixia quatro meses antes do crime. Em seu celular foram encontrados históricos de buscas sobre decomposição de corpos, sumiço de crianças e o caso de Júlia, menina assassinada em João Pessoa.

O corpo de Tiago foi localizado em novembro de 2023, em estado avançado de decomposição, junto a uma garrafa de bebida alcoólica e sem sinais de violência. A Polícia classificou a morte como autoeliminação.

Dor que não passa

Dois anos após o desaparecimento, os pais ainda buscam respostas. Sem o corpo da filha, o sentimento é de luto suspenso e sofrimento contínuo.

“Tiago Fontes está morto, a família dele sabe onde ele foi sepultado. E eu? Eu não tive nem o direito de sepultar minha filha”, desabafa a mãe, Maria do Socorro.

Comunidade ainda abalada

A população do distrito de Roma, em Bananeiras, também segue abalada com o caso. Moradores relatam tristeza permanente e lembranças constantes da menina.

“Ela sempre vinha comprar pães com as primas. A cidade é pequena, todos se conhecem. A dor foi de todos”, contou o comerciante Washington Araújo.

O POVO PB

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