Ibama embarga mais de 100 hectares por desmatamento ilegal na Paraíba e aplica quase R$ 870 mil em multas

25 jun 2025 - Paraíba

Desmatamento e aterro no Rio Timbó: denúncia aponta danos ambientais em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana

Mais de 100 hectares de vegetação nativa foram embargados na Paraíba devido a desmatamento ilegal, durante a Operação Mata Viva, realizada pelo Ibama entre os dias 14 de maio e 4 de junho de 2025. A ação de fiscalização resultou em R$ 869 mil em multas administrativas e teve como foco a preservação dos biomas Mata Atlântica e Caatinga, além da repressão a infrações ambientais em áreas indígenas.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a operação ocorreu em oito municípios paraibanos: Areia, Capim, Guarabira, João Pessoa, Juripiranga, Pilões, São José dos Ramos e Solânea.

As áreas embargadas somam 106,5 hectares, sendo 91,9 hectares pertencentes ao bioma Mata Atlântica — considerado patrimônio nacional pela Constituição Federal — e 14,6 hectares à Caatinga. Ao todo, foram lavrados 42 autos de infração por desmatamento sem autorização ambiental.

O Ibama utilizou imagens de satélite para identificar cortes rasos e alterações na cobertura vegetal. A partir dos alertas detectados por sensores remotos, equipes de fiscalização em campo foram mobilizadas, com o apoio de drones para o mapeamento das áreas atingidas. As propriedades com desmatamento ilegal tiveram as atividades bloqueadas imediatamente.

A legislação ambiental brasileira, com base no Decreto Federal nº 6.514/2008, prevê multa de até R$ 5 mil por hectare desmatado em áreas protegidas, como a Mata Atlântica. Quando há o uso de fogo, a penalidade é dobrada.

Durante a operação, os agentes ambientais também apreenderam 176 aves silvestres, muitas delas mantidas irregularmente em cativeiro. Parte dos animais foi devolvida à natureza, enquanto os exemplares debilitados foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), localizado em Cabedelo, na Grande João Pessoa, para reabilitação e posterior soltura.

A operação identificou ainda desmatamento em áreas pertencentes ao povo Potiguara, no Litoral Norte da Paraíba. Segundo relatórios da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), áreas anteriormente embargadas voltaram a ser desmatadas para o plantio de cana-de-açúcar.

Com base nos documentos da Funai, o Ibama reforçou os embargos, aplicou novas autuações e anunciou medidas para impedir o avanço da atividade ilegal em terras indígenas.

Ibama promete intensificar fiscalizações

O superintendente substituto do Ibama na Paraíba, Geandro Guerreiro Pantoja, destacou o papel do órgão federal no enfrentamento ao desmatamento ilegal.

“Continuaremos diligentes na prevenção e no combate em defesa da nossa biodiversidade, contribuindo com nossas ações para a mitigação dos efeitos adversos das mudanças climáticas”, afirmou Pantoja.

A operação “Mata Viva” reforça os esforços dos órgãos ambientais em garantir a preservação dos biomas e o cumprimento da legislação ambiental, em um cenário de crescente pressão sobre áreas nativas e de aumento nos alertas de desmatamento no estado.

O POVO PB com informações do Ibama e Funai

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