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Justiça bloqueia até R$ 11,1 milhões em bens de investigados no escândalo do Hospital Padre Zé, na Paraíba
28 jul 2026 - Paraíba
Hospital Padre Zé, em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo
A Justiça da Paraíba determinou a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e recursos financeiros de 16 investigados no caso conhecido como escândalo do Hospital Padre Zé, que apura supostos desvios de verbas públicas destinadas ao Programa Prato Cheio, do Governo do Estado. O valor total do bloqueio pode chegar a R$ 11,1 milhões.
A decisão foi assinada pelo juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, após pedido apresentado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) em uma Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa. O sigilo da decisão foi retirado nesta segunda-feira (27).
Entre os atingidos pela medida estão o ex-diretor do Hospital Padre Zé, padre Egídio de Carvalho, apontado como principal investigado, além dos ex-secretários estaduais Tibério Limeira e Pollyanna Werton, e outras 13 pessoas investigadas no processo.
MP aponta desvio milionário de recursos públicos
Segundo o Ministério Público, os investigados teriam participado de um esquema de desvio sistemático de recursos públicos destinados a projetos sociais e assistenciais, especialmente ao Programa Prato Cheio, por meio de convênios firmados entre a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano e entidades ligadas ao Hospital Padre Zé.
Na decisão, o magistrado afirma que o bloqueio dos bens é necessário para garantir um eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao fim do processo.
O juiz também destacou que os indícios reunidos apontam para uma atuação conjunta entre diferentes núcleos investigados, envolvendo integrantes da administração do hospital, agentes públicos e empresários, que, segundo a investigação, teriam contribuído para a execução das supostas fraudes.
Decisão não segue entendimento do TCE
Ao analisar o caso, o magistrado observou que, embora o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) tenha atribuído, em decisão administrativa, um débito de cerca de R$ 11 milhões apenas ao padre Egídio, esse entendimento não impede que os demais investigados respondam na esfera judicial.
Para o juiz, os elementos apresentados pelo Ministério Público indicam que os supostos desvios não teriam ocorrido de forma isolada, mas com a participação de diferentes envolvidos, razão pela qual manteve todos os investigados na ação e determinou o bloqueio patrimonial.
A reportagem buscou posicionamento dos investigados. Até a publicação desta matéria, Tibério Limeira e as defesas do padre Egídio e dos demais citados não haviam se pronunciado sobre a decisão.
Já a assessoria da ex-secretária Pollyanna Werton informou que seus advogados ainda não foram oficialmente notificados da medida judicial.
A ação por improbidade administrativa é um desdobramento da investigação criminal conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que já tornou os investigados réus em uma ação penal relacionada ao caso.
O POVO PB
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