Justiça mantém condenação de acusados por golpe milionário com cultivo de hortaliças na Paraíba

23 set 2025 - Paraíba

Empresário Jucélio Pereira de Lacerda foi preso suspeito de atrair investimentos em hortaliças e dar golpe de mais de R$ 120 milhões — Foto: Hort Agreste Hidroponia/Divulgação

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) manteve, nesta terça-feira (23), a condenação de três acusados por um golpe milionário envolvendo investimentos no cultivo de hortaliças hidropônicas. O julgamento ocorreu na Câmara Criminal do Tribunal, em João Pessoa, após recurso da defesa.

Foram condenados o empresário Jucélio Pereira de Lacerda, a sócia-administradora Priscila dos Santos e o diretor financeiro Nuriey Francelino de Castro, ligados à empresa Hort Agreste, localizada em Lagoa Seca, no Agreste da Paraíba. O grupo respondia por estelionato majorado e organização criminosa.

Segundo as investigações, o esquema funcionava como uma pirâmide financeira. Os acusados prometiam rendimentos mensais de até 10%, além de participação de 30% nos lucros, a investidores que aportavam recursos no cultivo de tomates hidropônicos. No entanto, os pagamentos nunca eram realizados. O golpe teria causado um prejuízo estimado em R$ 120 milhões.

No voto, o desembargador Joás de Brito destacou que os elementos apresentados no processo comprovam a fraude, afastando as alegações da defesa de que o caso deveria tramitar na Justiça Federal.

“Não houve prejuízo para autarquias públicas, nem crimes contra o sistema financeiro nacional, o que confirma a competência da Justiça estadual”, afirmou o relator.

O magistrado também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa, apresentada pelos advogados dos acusados, e manteve a condenação pelo crime de organização criminosa. O voto foi seguido integralmente pelo desembargador João Benedito, sem acréscimos.

Com a decisão, Jucélio Pereira e Nuriey de Castro permanecem presos, enquanto Priscila dos Santos responde em liberdade até o trânsito em julgado do processo.

Jucélio Pereira havia sido preso em 2023, na zona rural de Lagoa Seca, acusado de aplicar o golpe por meio da promessa de lucros muito acima da realidade de mercado. Segundo relatos de vítimas, ele chegou a apresentar uma suposta “tecnologia inovadora” que garantiria a produção acelerada de hortaliças, justificando os rendimentos oferecidos.

Uma das vítimas relatou ter investido R$ 180 mil em outubro de 2023, com promessa de retorno a partir de novembro, mas nunca recebeu os pagamentos.

Empresário preso por golpe milionário: Hort Agreste tem capital social de R$ 250 mil, mas prejuízo pode chegar a R$ 120 milhões — Foto: Hort Agreste Hidroponia/Divulgação

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou denúncia contra os três em fevereiro deste ano, apontando que a empresa Hort Agreste atuava como fachada para captação de recursos em esquema fraudulento.

A condenação de primeira instância havia sido determinada pelo juiz Geraldo Emílio Porto, em maio, e foi confirmada nesta terça-feira pelo TJPB.

O POVO PB

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