Justiça retoma audiência sobre desvios de recursos no Hospital Padre Zé

31 jul 2024 - Paraíba

Hospital Padre Zé, em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo

A audiência de instrução de um processo que investiga um esquema de desvio de recursos no Hospital Padre Zé, em João Pessoa, será retomada pela quarta vez. Marcada para as 10h desta quarta-feira (30) no Fórum Criminal da capital paraibana, a audiência envolve o padre Egídio de Carvalho Neto, ex-diretor-geral do hospital, a ex-diretora administrativa Jannyne Dantas Miranda e Silva e a ex-tesoureira Amanda Duarte da Silva Dantas.

Esquema de desvios milionários

Os réus são suspeitos de envolvimento em fraudes na gestão do hospital, que é uma instituição filantrópica e recebe recursos públicos. O processo já teve três audiências anteriores, mas todas foram interrompidas por diferentes motivos. A primeira audiência foi suspensa devido ao avançar da hora após o depoimento de sete testemunhas. A segunda sessão, em 13 de junho, foi interrompida porque a defesa de uma das rés alegou não ter acesso completo à denúncia do Ministério Público da Paraíba, o que configuraria cerceamento de defesa. A terceira audiência, realizada em 12 de julho, contou com o depoimento de mais duas testemunhas.

Testemunhas ouvindo

Até o momento, foram ouvidas:

  • Uma contadora do Hospital Padre Zé
  • Dois porteiros do Hospital Padre Zé
  • Três funcionárias do hospital
  • Manoel Delson (arcebispo da Paraíba)
  • Samuel Segundo, ex-funcionário do hospital
  • Uma delegada que participou das investigações

Ainda restam oito testemunhas a serem ouvidas no processo.

Além deste processo, há outro em andamento contra os mesmos réus, incluindo o empresário João Diógenes de Andrade Holanda, acusado de compra fraudulenta de computadores para o hospital. A audiência de instrução deste segundo processo estava marcada para 27 de maio, mas foi adiada devido a questões levantadas pela defesa do empresário. A nova data para a audiência ainda não foi definida.

Investigação da Operação ‘Indignus’

As investigações começaram após o furto de mais de 100 aparelhos celulares do Hospital Padre Zé, ocorrido em agosto e tornado público em 20 de setembro. Os celulares, doados pela Receita Federal, seriam vendidos em um bazar solidário para arrecadar fundos para a compra de uma ambulância com UTI e um carro para distribuição de alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade.

O furto levou à abertura de um inquérito policial e à prisão de um suspeito, que atualmente responde em liberdade com medidas cautelares. Após a denúncia sobre o furto, uma denúncia anônima ao Ministério Público da Paraíba revelou uma série de irregularidades na gestão do padre Egídio, levando ao seu afastamento de qualquer ofício eclesiástico pela Arquidiocese da Paraíba.

O Hospital Padre Zé constatou inúmeras dívidas comprometendo sua funcionalidade após avaliar a situação operacional, funcional, contábil e financeira da instituição. Em resposta, a gestão solicitou ao Ministério Público da Paraíba uma ampla auditoria em todas as contas, contratos, convênios e projetos do hospital.

O POVO PB

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