Operação Indignus: ex-diretores do Hospital Padre Zé e empresários são denunciados pelo MPPB por organização criminosa

13 nov 2024 - Paraíba

Hospital Padre Zé, em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou uma sexta denúncia contra ex-dirigentes do Hospital Padre Zé, em João Pessoa, como parte das investigações da Operação Indignus. Entre os denunciados estão o ex-diretor da instituição, padre Egídio de Carvalho, a ex-diretora Amanda Duarte, além de cinco empresários ligados a empresas fornecedoras do Instituto São José, entidade responsável por programas sociais na Paraíba.

Os empresários envolvidos incluem Kildenn Tadeu Morais de Lucena, Sebastião Nunes de Lucena, Sebastião Nunes de Lucena Júnior, Mariana Inês de Lucena Mamede e Maria Cassilva da Silva. A denúncia caracteriza o grupo como uma “organização criminosa”, com envolvimento na negociação de propinas para direcionar contratos de fornecimento de alimentos a um conjunto restrito de empresas.

Segundo o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), responsável pela investigação, os empresários fizeram parte de uma rede de empresas contratadas para fornecer alimentos ao programa Prato Cheio, que, através de colaboração com o Governo do Estado, atendeu pessoas em situação de rua em João Pessoa e outras cidades paraibanas. As investigações apontam que, até o ano passado, o programa firmou 14 termos de colaboração, totalizando mais de R$ 21 milhões em repasses.

O Gaeco também apresentou evidências de irregularidades, como notas fiscais sequenciais e relatórios de prestação de contas sem registros de atendimento a beneficiários. A denúncia indica que as empresas superfaturaram os valores dos contratos, repassando uma parte dos recursos aos diretores do hospital. Esses valores, segundo as investigações, foram devolvidos em espécies ou transferidos para pagamentos de bens adquiridos pelo padre Egídio de Carvalho, incluindo imóveis em João Pessoa e São Paulo.

A ex-diretora Amanda Duarte teria registrado em seus pagamentos de propinas no valor de R$ 1,6 milhão, porém o MPPB ressalta que esse montante pode ser apenas uma parte das irregularidades.

Até o momento, a defesa de Egídio de Carvalho e dos empresários denunciados não se manifestou sobre o caso. A Operação Indignus, por sua vez, segue desdobrando-se em novas etapas, com o Gaeco monitorando a destinação dos valores e a legalidade das contratações.

O POVO PB

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