MP da Paraíba recomenda manter arquivado inquérito sobre desaparecimento de Ana Sophia em Bananeiras
22 jul 2025 - Paraíba
Ana Sophia — Foto: Arquivo pessoal
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) recomendou à Justiça a manutenção do arquivamento do inquérito que investigava o desaparecimento da menina Ana Sophia, ocorrido há dois anos no distrito de Roma, em Bananeiras, no Brejo paraibano. A justificativa do órgão, apresentada pelo promotor Edmilson de Campos Leite Filho, é a ausência de fatos novos que sustentem a reabertura da investigação.
A menina, de 8 anos, desapareceu em julho de 2023. Apesar das buscas, o corpo nunca foi localizado. O principal suspeito do caso, Tiago Fontes, foi encontrado morto meses depois, em uma mata da região. Segundo as autoridades, ele teria cometido “autoeliminação” (suicídio), e as provas reunidas apontam que o crime foi premeditado e motivado por razões sexuais.
Segundo o promotor Edmilson de Campos, “todas as linhas investigativas foram devidamente exploradas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público”, não havendo elementos que justifiquem reabrir o inquérito. “A alegação de que o corpo da criança não foi encontrado, por si só, não representa fato novo capaz de justificar a retomada da investigação”, frisou o promotor ao Jornal da Paraíba.
Família contesta arquivamento
A decisão, no entanto, não foi bem recebida pela família de Ana Sophia, que segue cobrando justiça. Os pais da criança, João Simplício e Maria do Socorro, não concordam com o arquivamento e, por meio de seus advogados, solicitaram formalmente à Justiça a reabertura do inquérito.
A defesa da família aponta que pistas relevantes não foram consideradas e que a investigação inicial apresenta falhas. “Encontramos muitos fatos que deixaram de ser analisados, muitas pistas que não foram seguidas. Então, decidimos que é necessário que se reabra esse inquérito”, afirmou a advogada Vera Franco.
Devido ao sigilo do processo, os detalhes das novas alegações não foram divulgados.
Investigação apontou crime premeditado
Segundo a Polícia Civil, Ana Sophia foi vista pela última vez ao retornar sozinha para casa, após ir procurar uma amiga. Imagens de câmeras de segurança registraram a menina caminhando por uma calçada, sendo esse o último registro confirmado dela em vida.
Tiago Fontes, vizinho da família e frequentador da casa do sogro — que alugava o imóvel onde a família de Ana Sophia morava —, se tornou o principal suspeito. Buscas em seu celular revelaram pesquisas sobre decomposição de cadáveres, asfixia infantil e casos semelhantes de violência contra crianças.
As investigações também indicaram que Tiago planejava o crime com meses de antecedência. Em novembro de 2023, após ser dado como desaparecido, seu corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição, junto de uma garrafa de bebida alcoólica, numa área de mata fechada. A perícia não identificou sinais de violência.
Mesmo sem o corpo da criança, a Polícia Civil concluiu que Tiago foi o autor do crime e encerrou o inquérito. O relatório foi acolhido pelo Ministério Público, que determinou o arquivamento.
Agora, a decisão final sobre o arquivamento cabe ao Judiciário.
O POVO PB
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