MPPB investiga ação policial que resultou na morte de cinco jovens em João Pessoa
18 fev 2025 - Paraíba / Política
Ministério Público da Paraíba — Foto: Divulgação
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar a investigação sobre a operação da Polícia Militar, que terminou com a morte de cinco jovens na noite do último sábado (15), no bairro Valentina, em João Pessoa. A investigação será conduzida pelo Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Ncap).
De acordo com a coordenadora do Ncap, Cláudia Bezerra, o objetivo é garantir que todas as medidas sejam adotadas para assegurar a transparência e a eficácia das investigações. O órgão solicitou ao Comando do 5º Batalhão da PM e à Delegacia de Crimes Contra a Pessoa informações detalhadas sobre a ocorrência e o inquérito policial no prazo de 24 horas.
O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, afirmou que os policiais envolvidos foram recebidos a tiros e “agiram no estrito cumprimento do dever legal”. No entanto, moradores da região realizaram protestos questionando a abordagem policial.
Entenda o caso
Segundo a Polícia Militar, os cinco jovens estavam reunidos para vingar a morte de Ana Gabriela de Oliveira da Silva, de 36 anos, vítima de um feminicídio cometido por Gilmar Eloy Dionizio. O grupo teria saído do município do Conde armado, mas foi interceptado por viaturas da PM, que alegam que os suspeitos desobedeceram à ordem de parada.
Entre os mortos, estavam:
- Fábio Pereira da Silva Filho, 26 anos
- Emerson Almeida de Oliveira, 25 anos
- Alexandre Bernardo de Brito, 17 anos
- Cristiano Lucas, 16 anos
- Gabriel, 16 anos (filho de Ana Gabriela, vítima do feminicídio)
A PM afirma que o grupo portava espingarda, pistola e revólver, armas apreendidas no local.

Carro ficou cheio de marcas de tiros após ação da PM paraibana — Foto: Polícia Militar da Paraíba/Divulgação
Nesta segunda-feira (17), moradores da comunidade Vista Alegre realizaram um protesto contra a ação policial. Durante a manifestação, houve confronto com a Polícia Militar, que utilizou balas de borracha para dispersar os manifestantes. Mais de 10 pessoas foram detidas e dois policiais ficaram feridos após serem atingidos por garrafas de vidro.
Durante o enterro das vítimas, a líder comunitária Janaína da Silva questionou a condução da operação:
“Por que a polícia não fez a perícia no local? Por que retiraram os corpos sem investigação imediata?”
O caso segue sob investigação e gera repercussão sobre o uso da força policial e a letalidade das operações na Paraíba.
O POVO PB
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