O desrespeito persiste: estátua de Iemanjá decapitada há seis anos expõe falta de ação das autoridades

2 fev 2024 - Paraíba

Iemanjá terá monumento no Largo de Tambaú em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo Pessoal

A estátua de Iemanjá, localizada na orla do Cabo Branco, em João Pessoa, permanece decapitada desde março de 2016, revelando a inércia do poder público diante de atos de vandalismo e a falta de soluções efetivas para a preservação do patrimônio cultural e religioso.

Cronologia do vandalismo e busca por soluções:

  • Março de 2016: A estátua de Iemanjá é decapitada em um ato de vandalismo.
  • Fevereiro de 2023: A Prefeitura anuncia reforma da praça onde está a estátua.
  • Fevereiro de 2023: O Fórum de Diversidade Religiosa sugere a transferência da estátua para evitar futuros vandalismos.
  • Dezembro de 2023: O Ministério Público realiza uma audiência para cobrar soluções.
  • Janeiro de 2024: O MP dá 15 dias para a Procuradoria-Geral do Município se pronunciar sobre a possível realocação do monumento.
  • Fevereiro de 2024: A Prefeitura afirma que o projeto de reforma da praça foi aprovado pelo Comitê Gestor da Orla e aguarda manifestação favorável da Superintendência de Patrimônio da União (SPU) para iniciar a obra.
  • Fevereiro de 2024: A SPU informa que o processo de revitalização ainda não chegou ao órgão.

A estátua, alvo de vandalismo em março de 2016, permanece em estado de manipulação. Em fevereiro de 2023, a Prefeitura anunciou a reforma da praça, mas somente em janeiro de 2024 o Ministério Público deu prazo para que a Procuradoria-Geral do Município se manifestasse sobre a possibilidade de realocação da imagem para o Largo de Tambaú.

A Secretaria de Planejamento (Seplan) informou que o projeto de proteção da praça está em análise pela SPU, aguardando aprovação para licitação. O orçamento da obra é de R$ 662,7 mil, e o projeto prevê a recuperação da arquibancada, substituição da estátua, instalação de bancos, espaço para eventos e estacionamento.

O Fórum de Diversidade Religiosa da Paraíba, por meio de Tânia Ekèdi, defende a transferência da estátua para outro local e a confecção de uma nova peça com material diferente, considerando as atuaiscondições para restauração ou simbolismo.

Iemanjá terá monumento no Largo de Tambaú em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo Pessoal

Racismo religioso?

Representantes do Fórum alegam que a demora na resolução do caso configura racismo religioso e institucional. Para eles, a desinteresse na resolução do problema sugere discriminação em relação à religião de matriz africana.

Em dezembro de 2023, uma audiência convocada pelo Ministério Público reuniu diversos órgãos e lideranças religiosas para discutir a situação. No entanto, desde então, um pouco de avanço foi percebido. O MPPB emitiu um ofício, em janeiro de 2024, solicitando um posicionamento da Procuradoria-Geral do Município, mas a resposta continua pendente.

A falta de resolução desse caso de vandalismo não atinge apenas a imagem de Iemanjá, mas também ressoa como um alerta sobre a necessidade de maior ao respeito à diversidade religiosa e ao patrimônio cultural. A demora em solucionar levanta questionamentos sobre o tratamento igualitário às diferentes manifestações religiosas em nossa sociedade.

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O Povo PB com g1

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