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Procura por cartão de crédito cresce no Brasil; geração Z lidera solicitações, mas endividamento preocupa
12 dez 2025 - Brasil - Mundo
PProcura por cartão de crédito cresce no Brasil — Foto: Marcello Casal JR/ Agência Brasil
A busca por cartões de crédito explodiu no Brasil nos últimos 12 meses. Segundo uma pesquisa da Serasa, o número de solicitações cresceu 111%, e mais de um terço dos pedidos veio de jovens entre 20 e 29 anos, a chamada geração Z. O fenômeno, impulsionado pela facilidade de acesso e pela expansão das fintechs, acende ao mesmo tempo, um alerta: o endividamento também avança entre os mais jovens.
A tendência, explica o especialista em gerenciamento de crédito e risco Jorge Azevedo, está ligada à digitalização do sistema financeiro e à queda do poder de compra.
“Hoje o cartão é uma ferramenta de sobrevivência. A geração Z já entrou no mundo financeiro pelo digital e usa o cartão como forma de organizar o orçamento. Quando a renda é volátil, como acontece com muitos jovens, essa cobertura do cartão passa a ser essencial.”, afirmou.
Se no passado ter cartão representava status bancário, hoje o cenário é outro. A abertura por aplicativos, aprovações em minutos e limites iniciais mais acessíveis transformaram o cartão em porta de entrada para o sistema financeiro, especialmente pelas fintechs, que assumem riscos que bancos tradicionais evitam.
“As fintechs veem o cartão como produto para captar cliente. Entram com limite menor, aceitam riscos e miram o público que continua se bancarizando especialmente os jovens”, explicou Azevedo.
Mas a popularização também tem trazido efeitos negativos. Uma pesquisa do SPC Brasil mostrou que metade dos jovens de 18 a 24 anos não tem controle financeiro, e 4 em cada 10 já tiveram o nome negativado.
“Limite não é renda. Se você tem um limite de R$ 10 mil, mas não ganha isso, não pode gastar esse valor. O problema é quando a pessoa percebe tarde demais”, alertou Azevedo.
No Nordeste, segundo o Banco Central, o cenário é ainda mais sensível, crescimento mais acelerado no uso do cartão, maior taxa de parcelamento e maior vulnerabilidade à renda entre jovens de 18 a 24 anos.
A Serasa aponta que o gasto médio dos jovens com cartão chega a R$ 1.250, valor muito próximo do salário mínimo. Em alguns casos, a fatura representa até 60% da renda mensal.
Com o aumento da concorrência entre bancos digitais, limites maiores, facilidades e recompensas atraem cada vez mais consumidores. Porém, quando não há planejamento financeiro, os juros altos tornam a dívida rapidamente impagável.
O POVO PB
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