Operação Indignus: Desembargador concede prisão domiciliar a ex-funcionária do Hospital Padre Zé
18 nov 2023 - Paraíba
Hospital Padre Zé, em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo
A ex-funcionária do Hospital Padre Zé, Amanda Duarte Silva Dantas, suspeita de envolvimento em um suposto esquema milionário de desvio de verbas da instituição filantrópica, teve sua prisão preventiva convertida em domiciliar pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba. O pedido foi feito pela defesa de Amanda, tendo como base a presença de um filho de apenas 4 meses, em fase de amamentação exclusiva.
A decisão judicial impôs diversas medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico, a decisão de deixar a Comarca sem solicitação judicial, a atualização constante de dados pessoais, a comparação obrigatória a todos os atos processuais e a exclusão de manter qualquer tipo de contato com os demais investigados no caso.
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba se manifestou favoravelmente à substituição da prisão, destacando que Amanda e o Padre Egídio, outro suspeito no caso, eram responsáveis por repassar cheques que eram sacados em espécie, movimentando valores entre R$ 50 mil e R$ 200 mil.
A investigação da Operação Indignus revelou um impacto devastador nos programas sociais bloqueados pelo hospital, como distribuição de refeições a moradores de rua, apoio a famílias refugiadas da Venezuela, ajuda a pacientes após alta hospitalar, cursos profissionalizantes e cuidados a pacientes com HIV/AIDS, entre outros.
Os desvios, segundo o Gaeco, prejudicaram gravemente o funcionamento do Hospital Padre Zé, comprometendo o atendimento a população carentes. Segundo Otávio Paulo Neto, coordenador do Gaeco, os atos ilícitos visam programas sociais essenciais, minando recursos fundamentais para o funcionamento da instituição.
De acordo com informações apuradas, nos últimos cinco anos, a entidade filantrópica recebeu mais de R$ 290 milhões em convênios com o governo federal, estadual e municipal. No entanto, a gestão anterior teria realizado um empréstimo de R$ 13 milhões sem esclarecer o destino dos fundos, resultando em um subsídio mensal de R$ 250 mil para o hospital.
O atual diretor da instituição, Padre George, expressou preocupação com as implicações desse suposto esquema financeiro, ressaltando os prejuízos irreparáveis causados aos serviços prestados à comunidade mais vulnerável.
OPovoPB
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