TJPB torna Padre Egídio e ex-secretários do Estado réus em investigação sobre suposto esquema de propina no Hospital Padre Zé

28 maio 2026 - Manchete Destaque

Hospital Padre Zé, em João Pessoa — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) decidiu, nesta quarta-feira (27), aceitar a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, e tornou réus o padre Egídio de Carvalho e os ex-secretários de Estado Pollyana Werton e Tibério Limeira. O caso investiga um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo contratos ligados ao Hospital Padre Zé e ao programa social Prato Cheio.

A decisão foi tomada de forma unânime pelos desembargadores presentes na sessão, que acompanharam o voto do relator, desembargador Márcio Murilo. Durante o julgamento, ele apresentou um relatório com mais de 120 páginas e afirmou que há elementos suficientes para abertura da ação penal, incluindo movimentações bancárias, mensagens e documentos apreendidos durante as investigações.

Segundo a denúncia do Gaeco, empresas contratadas para fornecer alimentos e produtos ao Hospital Padre Zé e ao programa Prato Cheio realizavam supostos pagamentos irregulares, chamados internamente de “devoluções”. O Ministério Público aponta que parte desses valores teria sido destinada a agentes públicos e integrantes da administração da instituição.

De acordo com a investigação, Tibério Limeira teria recebido R$ 50 mil no esquema. Já Pollyana Werton, segundo o Gaeco, teria sido beneficiada com R$ 70 mil. O Ministério Público afirma que os pagamentos eram intermediados por integrantes da administração do hospital.

Além de padre Egídio, Pollyana e Tibério, outras pessoas também passaram à condição de rés no processo. Entre elas estão ex-integrantes da gestão administrativa e financeira da instituição.

O que dizem as defesas

Em nota, a defesa de Pollyana Werton afirmou que a ex-secretária confia na Justiça e sustenta não ter praticado qualquer irregularidade. Os advogados também disseram que irão questionar pontos do processo nas instâncias superiores.

Já a defesa do padre Egídio declarou que recebeu a decisão “com serenidade” e ressaltou que o recebimento da denúncia não significa condenação, mas apenas o início da fase de instrução processual.

As defesas de Jannyne Dantas Miranda e Amanda Duarte Silva afirmaram que o processo possui “nulidades e vícios graves” e disseram que irão recorrer.

Até a última atualização desta matéria, Tibério Limeira não havia se pronunciado.

Entenda a investigação

O caso é um dos desdobramentos da Operação Indignus, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, estelionato e apropriação de valores destinados ao Hospital Padre Zé e à Ação Social Arquidiocesana.

Segundo o Ministério Público, empresas ligadas ao grupo investigado concentravam contratos milionários com o programa Prato Cheio. Apenas os termos de colaboração analisados somam mais de R$ 18 milhões.

As investigações também apontam que parte do dinheiro teria sido sacada em espécie e entregue a integrantes do esquema.

O processo agora entra na fase de instrução, quando os réus poderão apresentar defesa, testemunhas e provas perante a Justiça.

O POVO PB

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