Justiça mantém delegado Braz Morroni e dois investigadores presos na Operação Perfídus

1 ago 2026 - Notícias

Prisões temporárias foram convertidas em preventivas. Decisão aponta indícios de participação em esquema de desvio de drogas, corrupção e atuação de organização criminosa dentro da Polícia Civil da Paraíba  — Foto: Reprodução

A Justiça da Paraíba converteu em prisão preventiva as detenções do delegado Braz Morroni de Paiva Júnior e dos investigadores da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, investigados na Operação Perfídus. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (31) pela 2ª Vara Regional das Garantias.

Os três estavam presos temporariamente desde a deflagração da operação, no início de junho. Ao analisar o pedido conjunto da Polícia Civil e do Ministério Público da Paraíba, a juíza Conceição de Lourdes Marsicano concluiu que existem indícios suficientes da participação dos investigados nos crimes apurados.

Na decisão, a magistrada afirma que a prisão preventiva é necessária para preservar a ordem pública, garantir o andamento das investigações e evitar a destruição de provas ou a continuidade das supostas práticas criminosas.

Segundo as investigações, policiais civis utilizariam informações repassadas por traficantes para localizar depósitos de drogas, desviariam parte dos entorpecentes apreendidos durante operações e recolocariam o material no mercado ilegal.

Para a juíza, medidas cautelares mais brandas, como uso de tornozeleira eletrônica, afastamento das funções públicas ou comparecimento periódico à Justiça, não seriam suficientes diante da gravidade dos fatos investigados.

“A garantia da ordem pública é o fundamento central que autoriza a conversão da prisão temporária em preventiva no caso concreto”, destacou a magistrada na decisão.

Além de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge, a Justiça também converteu em prisão preventiva as detenções de:

  • João Wicttor Alves de Lima;
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
  • José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”.

Vanessa Dantas Fernandes teve a prisão convertida em preventiva, mas continuará em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, por ser mãe de uma criança menor de 12 anos.

O que dizem as defesas

Em nota, a defesa do delegado Braz Morroni informou que pretende recorrer da decisão. Segundo os advogados, a investigação ainda não apresentou provas concretas que vinculem o delegado aos crimes investigados e a decisão não individualiza a conduta atribuída a ele.

Já a defesa do investigador Eduardo Jorge afirmou que só teve acesso integral ao inquérito recentemente e, por isso, ainda não irá se manifestar de forma detalhada sobre o caso.

A defesa de Everton Aires não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem.

A Operação Perfídus investiga uma suposta organização criminosa suspeita de atuar no desvio de cargas de drogas apreendidas, além de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas no âmbito da Polícia Civil da Paraíba.

O POVO PB

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